OS EFEITOS DA TIMIDEZ E DO MEDO DE FALAR EM PÚBLICO NA VIDA PESSOAL E NA CARREIRA PROFISSIONAL

Motivo de evasão nas graduações acadêmicas


OS EFEITOS DA TIMIDEZ E DO MEDO DE FALAR EM PÚBLICO NA VIDA PESSOAL E NA CARREIRA PROFISSIONAL

Motivo de evasão nas graduações acadêmicas

 

 

Acácio Moraes Garcia [1] 

Silvio Luiz Indrusiak Weis [2]

 

Resumo:

 

Nessa conturbada vida moderna dos nossos dias e nesse mercado corporativista, a cada instante que passa, surge a necessidade de comunicarmos com todos que nos acercam. Com o presente estudo, objetivou-se avaliar as consequências que a timidez e o medo de falar em público provocam no ser humano, em sua vida pessoal e profissional, diminuindo, assim, a autoestima. Na vida acadêmica é um grande fator que influencia na evasão de inúmeros acadêmicos nos primeiros anos da graduação. Tendo esse foco, o presente artigo objetiva investigar, através de pesquisa de campo e bibliográfica que uma das formas de solucionar esses obstáculos, é decidir vencer a timidez, buscando desde criança, técnicas práticas de apresentações em público e orientações de especialistas.

 

Palavras-chave: Timidez. Medo de falar em público. Treinamento de comunicação. Autoestima. Evasão na graduação.

 

 

THE EFFECTS OF SHYNESS AND OF THE FEAR OF PUBLIC SPEAKING IN THE PERSONAL LIFE AND PROFESSIONAL CAREER

As a cause of evasion in academic degrees

 

Abstract:

            In the days of troubled modern life and in that world of corporative market, every moment that passes, raise the necessity of one to communicate with everyone that surround him. The present study has the goal to evaluate the consequences of shyness and fear of public speaking in human being; in their personal and professional lives, thus reducing self-esteem. In academic life is a major factor that influences the evasion of numerous scholars in the early years of graduation. With the mentioned focus, this article aims to investigate, through both field and literature researches, that one way to solve these obstacles is deciding to overcome them, seeking since childhood, practical techniques of public presentations and also guidance from experts.

Keywords: Shyness. Fear of public speaking. Communication training. Self-esteem. Academic evasion.

 

 1 INTRODUÇÃO

 

            O mundo hoje está dividido em dois grandes blocos: pessoas que falam em público e pessoas que não se apresentam em público. As pessoas comunicativas aparentemente levam vantagens em relação às tímidas, nesse mundo onde a comunicação global rege o destino profissionalizante do indivíduo. Falar em público com naturalidade e vencer a timidez no dia-a-dia é uma contingência a que todos estão obrigados, principalmente se desejam o sucesso numa época em que, a luta e a busca por uma posição de destaque no meio social em que vivem, é uma imposição dentro da comunidade em que desempenham as suas atividades pessoais, familiares e profissionais.

 

            Considerando que a timidez e o medo de se expor a grupos de pessoas se originam na infância, quando o público se reduz tão somente aos pais e aos irmãos que não permitem que a criancinha tente manifestar o que sente, aspira ou pensa. Na maioria das vezes, vê-se ridicularizada e reprovada nas primeiras falas por essas pessoas tão íntimas, mas desalmadas. Já, na adolescência, as transformações hormonais modificando seus corpos e suas mentes, ocasionam mudanças e uma rejeição psicológica de transmitir algo que não combina com suas ideias, daí o medo recai por não dispor de um vocabulário adequado para se expressar ou, ainda, por não ter o que dizer, criando-se um bloqueio total. Na fase adulta, acumula-se a vergonha da exposição ao ridículo, na frente de terceiros, que certamente poderão zombar, caso seja mal sucedido na apresentação.

 

            Torna-se necessário conscientizar os setores educacionais a iniciar e dar importância às práticas de apresentações em público já no ensino fundamental, com práticas mensais de diversos tipos de apresentações em público, poesias, músicas, jograis, teatro e sobretudo, mostrar a eles desde a infância, o valor que o mercado que lhe espera, dá aos extrovertidos e àqueles que falam bem e se apresentam em público com naturalidade.  Caso contrário, continuaremos a assistir a vergonhosas e péssimas apresentações de nossos acadêmicos, pós-graduandos, mestrandos e doutorandos que pagariam uma fortuna para escapar de TCCs, monografias, dissertações e teses exigidos ao final de cada curso.

 

            É preciso chamar a atenção dos educadores e das organizações educacionais sobre a necessidade de investir na solução desse problema que atinge a maioria dos estudantes, que é a timidez e o famoso medo de falar em público, motivos estes que já forçaram muitos acadêmicos a  desistirem de seus cursos nos primeiros anos da faculdade, em razão do pavor de apresentar trabalho em sala de aula durante toda a graduação.

 

                Este artigo tem por objetivo analisar a importância da Comunicação e das técnicas de apresentação em público para aumentar a autoestima e consequentemente, eliminar o medo de falar em público e a timidez desde a iniciação escolar até a maturidade adulta profissionalizante. A partir, então, desse cenário, realizou-se pesquisa de campo num laboratório de motivação, oratória, criatividade e expressão verbal,  bem como, uma abordagem qualitativa, descritiva quanto aos objetivos e fundamentada em pesquisa bibliográfica.

 

2 O PORQUÊ DO MEDO DE FALAR EM PÚBLICO

                                                          

            Ter medo de falar em público é algo muito natural. Aquele que não tiver um friozinho na barriga, sudorese, gagueira emocional, vermelhidão, taquicardia ou nervosismo não faz parte do padrão normal. É necessário conhecer as causas que provocam esse medo e usar técnicas para vencê-lo nos primeiros minutos da apresentação. O medo é psicológico, irracional e não obedece a princípios lógicos, seja o medo de se expor ao ridículo em público, o medo de esquecer tudo, o medo de gaguejar, o medo de tremer, de ficar vermelho ou tantos outros medos que surgem e aumentam na imaginação da pessoa despreparada. Nesse caso, uma boa dose de relaxamento aliada à terapia da autoconfiança afastará esse inimigo atroz. É importante salientar que estamos falando da timidez de falar em público, que é diferente da fobia social ou da ansiedade social. (Polito, 1986).

 

            Para Michael S. Gazzaniga e Todd F. Heatherton (2005) a fobia social é o medo irracional com duração intensa e constante durante situações de apresentação na sociedade. Em festas familiares, por exemplo, é manifestada pelo desejo de chegar cedo, bem antes de os familiares chegarem, só para não ter o desconforto de cumprimentá-los; manifesta-se, ainda, no desconforto para ficar em pé ou sentado diante de uma plateia, mesmo que em silêncio, em apresentações em público, ao lecionar em sala de aula, em entrevistas no rádio ou na televisão, em teleconferências, etc. No caso de vendas ou atendimento ao cliente, o medo de receber um “não” ou de ser contrariado sobre o que está falando levam a pessoa fóbica a se desviar desses fatos sociais ou a enfrentar com muito medo esse pesadelo.

 

            Alguns sintomas da ansiedade na fobia social, tal como em outros transtornos emocionais, podem ser experimentados de várias maneiras: estado de pânico, suor gelado nas axilas, sudorese nas palmas das mãos, vermelhidão, gagueira emocional, taquicardia intensa, visão turbada, sensação de que aquele acontecimento é irreal e vontade urgente de fugir da situação, bem como certeza de que fora dela o medo se dissipa.

 

            Ante um perigo qualquer é provocada uma descarga de adrenalina, que vai preparar a pessoa para lutar ou para fugir. A adrenalina atua como agente vasoconstritor. Aumentando a pressão sanguínea, o ritmo cardíaco fica mais acelerado, os músculos necessitam de mais sangue para agir e isso produz a desconfortável taquicardia. O medo tem por finalidade fornecer as ferramentas para que você possa medir o tamanho do problema e decidir como proceder para vencê-lo. A  maneira melhor de vencer esse medo é participar de um Curso de Oratória prático, filmado, alegre e descontraído, orientados por um especialista.

 

 

2.1 A TIMIDEZ E SEUS EFEITOS

 

            A timidez é a inibição diante de situações sociais em que a existência da ansiedade obstrui as forças naturais, ocasionando um desconforto comportamental que impossibilita a realização de atos e fatos no cotidiano pessoal e profissional de uma pessoa. É interessante que a timidez pode ser considerada um ninho de conforto para algumas pessoas escaparem de situações constrangedoras. Por exemplo: quando alguém é chamado para se apresentar em público e outra pessoa diz “Não chame tal pessoa. Ela é muito tímida.”, internamente o tímido agradece pela ajuda do amigo para escapar dessa ocasião embaraçosa.

 

            O medo e a ansiedade possuem características diferentes. Enquanto o medo é apreensão diante de uma ameaça real ou de um risco de lesão à vida, a ansiedade é um desconforto criado pela imaginação face a uma ameaça, porém menos perigosa e sem muito risco à integridade física. Contudo, a palavra “medo” está consagrada pelo uso, seja para descrever a timidez ou uma situação de ansiedade, com ausência de ameaça real.

 

            Podemos dividir a timidez em três grupos: timidez pequena, timidez média e timidez intensa. A timidez pequena quase todos temos. Alguns sinais e sintomas iniciais aparecem antes de uma exposição (como uma apresentação em público, por exemplo): taquicardia, vermelhidão e nervosismo. Estes sintomas duram de um a dois minutos. Em seguida, a pessoa se tranquiliza, anima-se e começa a gostar da situação, interagindo com os ouvintes.

 

            Quanto a timidez média os sintomas e sinais aparecem com mais intensidade. A taquicardia, a sudorese, a vermelhidão e o calorão no pescoço e na face perduram durante quase toda a situação de exposição a que o indivíduo se submete, seguido do desconforto de estar sendo observado. O corpo e o semblante denotam uma rigidez que é visível para os ouvintes durante toda a apresentação. A pessoa deseja que o tempo da exposição passe o mais rápido possível para que o mal-estar causado acabe logo.

 

            Já na timidez intensa, os sintomas são muito mais intensos. A pessoa sofre antecipadamente, pensando em como vai ser a ocasião de sua exposição: imagina e programa tudo o que pode acontecer de desagradável. Geralmente, os sintomas observados em quem tem uma timidez intensa é tremura, pânico, gagueira e até mesmo esquecimento total do conteúdo de sua exposição. ( Heatherton, Tood F. 2005)

 

2.2 EFEITOS NEGATIVOS DA TIMIDEZ

 

            De acordo com Daniel Fuentes (2008) a timidez, ofusca o ser humano. Os tímidos são acomodados e obedecem ordens sem questioná-las. Os tímidos aceitam tudo o que os outros dizem e não impõem suas ideias. Os tímidos talentosos são aproveitáveis em segundo plano. Os tímidos não se comunicam e nem fazem um bom relacionamento com pessoas importantes em sua vida profissional. Os tímidos fogem das entrevistas ou das provas orais. Os tímidos perdem oportunidades amorosas, de companheirismo, de amizades, de viagens enfim, de sucesso profissional, financeiro e motivacional. Os tímidos não dão importância ao Marketing pessoal. Razão pela qual, sair fora do ninho da timidez é o melhor caminho para se conseguir o sucesso.

 

 

3 O MEDO DE FALAR EM PÚBLICO É O MAIOR DOS MEDOS

 

            A partir do contexto exposto, se realizou uma pesquisa num Instituto de Oratória, especialista no treinamento de acadêmicos, professores e profissionais de diversas áreas, na qual se pretendeu avaliar o potencial que a timidez e o medo de se apresentar em público, influem no sucesso pessoal e profissional de cada um dos participantes.

 

            Utilizou-se o Questionário com uma listagem dos medos mais intensos nos seres humanos adolescentes e adultos, para que fossem colocados numa ordem hierárquica de intensidade, num total de 30 perguntas e chegou-se a conclusão de que o pavor de se expressar perante o público é, realmente, o que transtorna a maioria das pessoas. A pesquisa resultou nessa ordem: em primeiro lugar: medo de falar em público; segundo lugar: medo de altura; terceiro lugar: de insetos; quarto lugar: de problemas financeiros; quinto lugar: de doenças; e em sexto lugar: o medo da morte.

            É importante saber que o medo de falar em público existe para todos, principalmente nos primeiros minutos que antecedem uma apresentação.

 

 

3.1 O MEDO DE FALAR EM PÚBLICO E A EVASÃO NA GRADUAÇÃO ACADÊMICA

 

            Esse medo, como já citamos no item anterior, tem sido o fator determinante das evasões nas graduações acadêmicas. Nas pesquisas feitas nos inícios dos cursos de oratória em cada início de ano letivo, referente ao motivo que trouxe o acadêmico calouro a participar do curso de comunicação, as respostas foram unânimes: "que o pavor de ter que apresentar trabalhos em sala de aula, era o motivo determinante de sua desistência e abandono do curso acadêmico". Após a participação no curso de expressão verbal, eles observavam que, por meio das práticas simples, alegres e descontraídas, que tal medo era muito menor do que suas capacidades e persistências em vencê-lo. Em pesquisa simples, mas recente com 30 universidades, sendo 20 públicas e 10 particulares, com o objetivo de pesquisar          se havia em seus currículos o curso prático de oratória ou de apresentação em público, para os universitários graduandos, obtivemos como resposta a desnecessidade de tal cadeira, por ser de total insignificância para seus cursos acadêmicos e não fazer parte da grade curricular.

 

 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

             Após esse estudo, compreender a importância de vencer a timidez e o medo de se apresentar em público é um fator de suma relevância àqueles que desejam o sucesso pessoal e profissional. No entanto, isso só acontece se as instituições escolares compreenderem a importância que a expressão verbal e as apresentações em público representam na vida do futuro acadêmico. A oratória é a mais gráfica e a mais típica representação da arte, porque é a arte da palavra a ser transmitida a outros seres humanos. Sem a comunicação o conhecimento não vale nada, porque não será transmitido a outras pessoas.

 

            É necessário, portanto, que sejam implementadas cadeiras regulares com cursos práticos de apresentações em públicos, nas grades curriculares em todos os estabelecimentos escolares, e especialmente, nas graduações de todos os cursos das diversas áreas: saúde, exatas, sociais e outras novas que estão sendo implantadas nos dias atuais.

 

            Observou-se, com o presente artigo, o descaso que a educação brasileira dá à arte de se apresentar em público, sendo que em todas as profissões o que mais se utiliza no dia-a-dia é a comunicação para dirimir os conflitos que ocorrem a todo instante nas diversas profissões.

 

            Com essa pesquisa, foi possível observar que, aqueles que participaram do curso de oratória prático e filmado, relataram que suas autoestimas melhoraram e ainda, que a utilização das técnicas em cada apresentação em sala de aula, reuniões, festas familiares e outros encontros, passaram a ter prazer em fazer o uso da palavra.

 

            A pesquisa revelou também, que todos nós somos um pouco tímidos e que a timidez pode ser trabalhada com técnicas simples e fáceis durante uma apresentação de um trabalho em público.

 

            Outro ponto importante a ser abordado é que o medo de falar em público atinge a todas às pessoas, independentemente, de seu grau de instrução ou posição social e que o mais importante é a pessoa tímida tomar uma decisão de vencê-las através de técnicas nos cursos de expressão verbal, hoje em dia muito simples de serem aplicadas.

 

            Medidas como as sugeridas poderão ser de extrema importância para a diminuição do mal-estar e das preocupações, que ocasionam tantas evasões nos primeiros anos das graduações acadêmicas. E desistir de um curso em razão do medo de apresentar trabalho em sala de aula, provocado pela timidez, é suicidar um sonho real de um jovem. E a instituição escolar que desconhece essa realidade, nada sabe a respeito do amor pela educação.

 

            Por último, esperamos ter contribuído com todos aqueles que desejam vencer a timidez e o medo de falar em público. Como disse Michael Quoist: "A grandeza de um homem se mede pela sua capacidade de comunicação".

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

CARNEGIE, Dale. Como falar facilmente. 2. ed. Tradução por Mário Domingues.Porto: Civilização, 1970. 268 p.

 

FUENTES, Daniel. Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed. 2008.

 

GARCIA, Acácio Moraes. Como falar em público com naturalidade e entusiasmo. Florianópolis: Edição do Autor. 2000.

 

______. A Força do elogio para atingir as metas. Florianópolis: Edição do Autor. 2003.

 

______. Fuja do estresse e da depressão! Relaxe com autoestima. Florianópolis: Edição do Autor. 1988.

 

______. Vença a timidez de falar em público. Florianópolis: Edição do Autor. 2010.

 

GAZZANIGA, Michael S. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed. 2005.

 

POLITO, Reinaldo. Como falar corretamente e sem inibições. São Paulo: Saraiva, 1986.

 

                                                           

 

 

 

 



[1] Especialista em Neuropsicopedagogia . Pós-Graduação UNIASSELVI. E-mail: acacio@acaciogarcia.com.br

[2] Mestre em Neurociência. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). E-mail: silvioliw@gmail.com 


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